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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Doce Anjo

Todos os dias antes do sol nascer eu subia até no alto do morro que ficava perto da minha casa. Lá tinha uma arvore muito antiga e muito, muito grande. Era a única árvore que tinha lá em cima e podia ser vista de qualquer ponto em minha pequena cidade. Eu sentava aos pés da árvore e contemplava o nascer do sol. E assim acontecia todos os dias.
Naquele dia eu sentia meu coração doer. Já fazia algumas semanas que o sentia apertado.  Toda a noite sonhava com um rosto angelical. Mas ele nunca sorria. Estava sempre com os olhos carregados de lágrimas e uma expressão angustiante. E eu não entendia o porquê daquele lindo anjo estar sempre chorando. E então eu acordava quase sem ar.
Coloquei minhas botas e uma camiseta qualquer e comecei a subir em direção ao morro. Quando estava chegando perto da árvore comecei a escutar um choro baixinho e muito triste.
Havia uma garota, com aparência frágil em pé em cima de um banco. Ela estava com um vestido floral, descalça e com seus longos cabelos soltos. Ela olhava em direção ao sol que já estava nascendo e chorava.
Fui me aproximando devagar, para que minha presença não fosse notada. Estava preocupado e não queria assustá-la. Foi então que vi o que ela pretendia.
Acima de sua cabeça havia uma corda. Que ela segurava agora com força. Eu não estava tão perto dela e então comecei a correr. Ela colocou a corda no pescoço e jogou o banco para o chão. Antes de ele bater no chão pude ouvir um triste adeus.
Quando cheguei sem fôlego aos seus pés reconheci o seu rosto angelical. Ele estava sempre nos meus sonhos. Ela podia ter sido o amor da minha vida e eu a havia perdido.
Meus sonhos, minha angústia, a dor no meu peito agora faziam sentido. A dor só aumentava. E se ela morresse eu iria morrer com ela também. Meu coração clamava por isso
Não perdi tempo e a tirei dali. Deitei seu frágil corpo ao chão e verifiquei seu pulso. Fraco, mas ela ainda estava ali, ainda estava viva. Minha cidade era pequena, havia só um posto de saúde que ficava a 40 minutos dali de carro. Não havia tempo. Nunca havia estudado muito e não tinha muito conhecimento, mas sabia bem os primeiros socorros, e então fiz o máximo possível.
De repente ela puxou o ar com força, tossiu e abriu os olhos.
Ficamos um bom tempo nos olhando. Eu sentia que a conhecia, e sabia que ela também sentia o mesmo.
- Eu conheço você... – Ela disse com sua voz suave e fazendo uma cara de confusa.
- Sim, eu também a conheço.
- Nós já conversamos algum dia?
- Não. Mas todas as noites eu te encontrava em meus sonhos. E eles me trouxeram até você. Trouxeram-me pra te salvar.
As lágrimas caíram novamente de seus olhos. Mas não de tristeza e sim de emoção.
Eu a tomei em meus braços e pude sentir toda a sua fragilidade e delicadeza. Sua pele era macia e tinha um cheiro muito doce. Eu sabia que pertencíamos um ao outro. Estávamos ligados, conectados. E eu não podia perdê-la jamais.
- Aonde vamos?
- Eu vou cuidar de você. – Eu disse. Mas meu coração gritava: Eu vou amar você meu doce anjo.

3 comentários:

Manu disse...

Bruna lindaaa!
Amei o texto. De verdade, tu escreve muito. Quase chorei aqui (mesmo). Sou uma chorona de nascença.
Espero que tu continue escrevendo assim e que faça mais textos pra gente ler. Porque eu sou fã do jeito que tu escreve, de verdade.
Beijos linda

Unknown disse...

voce com suas palavras escreve todo tipo de texto, porém todos eles tem algo em comum, o seu Eu *-*

Bruna Moraes disse...

nossa, que lindo tudo isso. obrigada mesmo {: